Tudo igual
Mais uma vez, gostaria de repetir a redundância e falar mais uma vez do mesmo assunto de novo pela segunda vez novamente.
Estadão em 13 de fevereiro de 2009.
O Globo em 3 de fevereiro de 2008.
Terra em 8 de janeiro de 2007.
Terra em 27 de janeiro de 2006.
Acho, tenho a impressão, percebo e entendo que eu ratifiquei, conferi, repeti, confirmei, mostrei e provei o meu ponto, argumento, ponto-de-vista e observação sobre o fato, acontecimento e evento.
Espero ter sido repetitivo.
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Uma grande falta de educação
Essa minha primeira ranhetice faz jus ao nome da seção. Me sinto uma velha senhora gritando e batendo a bengala no chão, mas o fato é: as pessoas tem cada vez menos educação.
Estamos vivendo um momento de prosperidade “nunca antes visto na história desse país”. Mais do que nunca, mais pessoas tem acesso a carros, viagens, ensino superior e, sei lá, frozen yogurt. Mas, com todo esse acesso a itens que antes eram restritos a uma elite, o que veio junto não foi uma vontade de promover a igualdade a todos. Pelo contrário: a cultura vigente é: se eu paguei, eu posso tratar do jeito que eu quiser (complemento de um Tweet que eu li – que nem puta).
Faz todo sentido, né? Sempre fomos uma sociedade de opressores e oprimidos. A diferença social do brasileiro criou uma divisão enorme entre pobre e rico, que aceitava que uma série de abusos de poder acontecessem impunemente. E mesmo com todo nosso avanço econômico, parece que não sabemos achar outro lugar que não um dos dois lados dessa gangorra. Se eu posso, eu esculacho. Se não posso, aguento o que receber de cabeça baixa. O cliente tem sempre a razão. Mas, me aguarde quando essa gangorra se inverter… E o círculo vicioso permanece. Somos um povo muito mal resolvido, isso sim.
Honestamente, espero que a próxima evolução de consumo do brasileiro seja a educação. Não estou falando apenas de cultura, mas de bons modos, de respeito ao próximo. Você pode se expressar com muito mais propriedade sem desrespeitar o próximo. É ditado de vó e por isso mesmo é certo: quem perde a cabeça, perde a razão.
O avião atrasou e a companhia aérea está sem dar informações? Pare de dar showzinho para aparecer no Jornal Nacional humilhando um atendente que muito provavelmente ganha menos e trabalha mais do que você. Vá reclamar na Anac, no Procon, mude de companhia aérea. Você contratou uma agência que te mandou um material errado? Ao invés de gritar em um chilique histérico, pare um minuto para pensar quantas pessoas estão envolvidas naquele trabalho que você está ofendendo. Seu cliente foi grosseiro com seu funcionário? Dê o exemplo e defenda seu funcionário. Seu funcionário foi grosseiro com seu cliente? Dê o exemplo e defenda seu cliente.
Não existe pobreza pior que a de espírito. Você não precisa colocar o outro pra baixo para você estar por cima. Faça o que for para perceber que, mais que um carro novo, o que te faz mais rico é respeitar o próximo.
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Tudo igual
Faz muito sentido e isso é até bem fácil de observar.
Por volta do dia 30 de dezembro, as emissoras de TV começam a exibir seus programas especiais com a retrospectiva dos acontecimentos do ano.
Impressionante como o foco são tragédias e pessoas famosas que morreram. Isso tudo deve fazer parte de um roteiro fixo de elaboração desses programas.
No primeiro bloco: terremotos, massacres, guerra civil, tsunamis e a carreira de cantora da Susana Vieira.
Segundo bloco? Morreu Leslie Nielsen, Glauco, Bertoldo Brecha, Zilda Arns, Saramago…
No terceiro, alguma invenção notável, mas provavelmente seguida de mais tragédias.
Com o fim da retrospectiva e os especiais de fim de ano, a vida continua. A sensação de renovação é ótima e as resoluções nos deixam otimistas. Mas, às vezes, penso se não é melhor pensar igual à minha cachorra Panqueca. Para ela não faz diferença. É só uma noite de fogos barulhentos.
Mas a filosofia da Panqueca é um assunto que pode ser abordado em outro momento.
O ponto aqui é que os anos passam depressa porque são todos iguais.
Entre dezembro e fevereiro, começam as destruidoras chuvas de verão, que geram mais material para a próxima retrospectiva. No Rio de Janeiro, contagem de mortos, casas desabando, pessoas, afogadas, soterradas, chorando na entrevista, sendo salvas.
Em São Paulo, enchentes e carros arrastados. O trânsito que estava aliviado pelas férias escolares retoma parte de seu caos. Ironicamente, em paralelo a isso tudo, todos fazem cálculos para pagar o IPVA, IPTU e surgem piadas sobre os próximos meses de salário destinados apenas a impostos.
Nas redes sociais, depois das batalhas dos partidários para ver quem enche mais o saco, começa uma nova luta: os adeptos contra os pseudointelectuais. O assunto? BBB.
Os adeptos que gostam do reality show, inundam a web com o assunto.
Até aí, tudo bem. Mas os pseudointelectuais xingam os adeptos e mal percebem que também infestam Twitters e Facebooks da vida com o mesmo assunto.
E o ano continua. Às vezes, chego a torcer para os maias estarem certos.
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Assuntos recorrentes
A gente faz muitas amizades nesta vida. Conhece muita gente, muda de um trampo pro outro e vai acumulando aquela lista enorme no messenger. Ou vai a alguma festa e alguém que é primo do vizinho do amigo vai com a sua cara e popa no seu Facebook dias depois. Dentre os diversos níveis de amizade, existe uma linha tênue entre os laços constantes e o famoso “coleguismo”.
De fato, cansa se você pensar que um único assunto recorrente une você e aquele desgraçado indivíduo que sempre comenta sobre a mesma coisa. É como se ambos fossem especialistas naquele determinado assunto, e aí fica aquele papo grotesco com hiatos de silêncio enquanto buscamos mais tópicos ainda não debatidos. Mas tudo bem, existem coisas menos suportáveis que isso.
O outro tipo de assunto recorrente, também parido do “coleguismo”, é aquela mesma ladainha que algumas pessoas insistem em repetir em todo santo almoço corporativo ou happy hour. Você está em um momento de relaxamento, não em uma ocasião de negócios. Mas o filho da puta, que nem é tão workaholic quanto tenta parecer, não consegue tirar a cabeça da firma. É legal que as pessoas se entreguem ao trabalho, mas tudo tem um limite e seu cérebro precisa de pausas até para aumentar o rendimento. Às vezes você está com a cabeça na conta que deixou de pagar, no avô doente, na viagem do fim de semana, mas o cuzão insiste em trazer à tona a imagem do escritório, que vem junto com aquela pendência que não deixou você dormir a noite toda.
E se isso é ruim, imagina o terceiro tipo.
Sim, ele existe. Porque é muito mais fácil transformar o mundo num lugar pior para se viver. E é o hobby favorito de muita gente, também.
Bom, eu considero as redes sociais um avanço. E se você acha que é besteira e etc, imagine quem já morou em 4 cidades diferentes faz para manter contato com pessoas que estão longe, aproximando-as da sua rotina. Mas, obviamente, a coisa desvirtuou. Aquele bando de gente carente que não tem nada a ver com você vêm adicionando, e se você ignora, ficam bravos e enchendo o saco. Aí você, vencido pelo cansaço e com o saco na lua, resolve aceitar a merda da solicitação pra ter um pouco de paz.
Mas aí o inferno começa.
E vêm vários assuntos recorrentes. Protestos porque você vai votar em candidato x ou y. Disparam e-mails partidários diáriamente para encher seu saco. Falam sobre a menina que tem uma doença rara e está morrendo, uma cópia de uma corrente que você já recebeu há 5 anos. Mandam orações e, se você não repassar para sua idade vezes 50 pessoas, vai ter o triplo de anos de azar. Ficam atazanando você com promoções, ou bombardeando com notícias de certo programa de TV que você não está a fim de ver.
Não há como escapar dos assuntos recorrentes. É fato, a gente tem que saber tolerar e por engolir tanta coisa indigesta, acaba ficando com gastrite mesmo. E que tal se você, amigo chato dos assuntos recorrentes, pegasse mais leve? Seria interessante que as pessoas fizessem o mais difícil e tornassem o mundo mais agradável de se viver.
Grato.
Enzo Sunahara
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De sacos cheios
Eu tenho uma teoria. É a seguinte: dentro de uns 300 anos, os aliens chegarão à Terra e, após extensa investigação arqueológica dos restos de nossa civilização, concluirão que tudo girava em torno de uma substância preciosa. Cocô de cachorro.
Porque sejamos francos, a única coisa que ainda vai estar aqui depois desse tempo todo serão as fezes caninas, cuidadosamente embaladas naquele material indestrutível, a sacolinha plástica.
Sim, este é um post detonando essas malditas, mas você já não pode fugir, não depois de ter lido dois parágrafos. Minha bronca é muito simples. Ninguém é burro (ok, alguns são burros), todo mundo sabe que sacolinha plástica é só outro nome para Belzebu. Então, por que continuamos usando?
Seria muito fácil parar. Bastaria que os supermercados e lojas não as distribuíssem mais, como o Mac Donald’s fez com as caixinhas de isopor (lembra?). Ou cobrar por elas, como fazem tantos países na Europa. De outra forma, quando é que a D. Maria vai se lembrar da sacola de lona ou pedir uma caixa de papelão?
Em grande parte, acho que estamos nos afogando em sacolinhas pelo simples fato de aceitá-las sem a menor razão. Quando vou à banca de revistas, o primeiro impulso do atendente é colocar dentro delas revistas, que cabem na bolsa e não pesam nas mãos. Pior: passei no sacolão (ok, com esse nome eu já devia esperar), tudo que eu queria era um inocente Muppy para beber na hora. Depois de tirar a bebida de dentro do saquinho, fui buscar o canudo. Quando voltei, ela tinha sentido a urgência de ensacolar DE NOVO 1 (um) muppy de 200 ml.
Talvez elas sejam mais baratas. Talvez a gente simplesmente tenha algum tipo de dependência psicológica pelo cheiro de plástico. Tudo que eu sei é que depois que acabar a humanidade, restarão ratos e baratas e eles morrerão de fome, porque o cocô estará embalado nas indestrutíveis sacolinhas do extra.
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Insolência contra o comodismo
Muita coisa mudou desde tempos de censura. Para nos manifestarmos, não precisamos mais criar um “Saltimbancos” cheio de mensagens implícitas.
Infelizmente, parece que todos emburrecemos. A suposta falta de repressão nos fez criar músicas com fodas e bundas, fora toda a desvalorização crescente da classe artística por falta de apreciadores. Parece até que foi uma medida estratégica: uma falsa liberdade de expressão que gera ditadura e repressão cultural automáticas.
Somos acomodados a ponto de sorrir ao dar uma entrevista para o programa da Ana Maria, mesmo que seja na situação de estar totalmente molhado, com o guarda-chuva estourado, envolto a odores de 40 diferentes sovacos, debaixo do ponto cheio de goteiras. O assunto da entrevista? A greve dos motoristas de ônibus que estão com salários atrasados, fazendo com que você leve 5 horas a mais tanto para ir como para voltar do seu trabalho.
Em tempos que precisamos de uma lei para não eleger candidatos de passado sujo, adoro recitar como poesia uma famosa letra do Roger.
A gente não sabemos
Escolher presidente
A gente não sabemos
Tomar conta da gente
A gente não sabemos
Nem escovar os dente
Tem gringo pensando
Que nóis é indigente
“Inúteu”!
A gente somos “inúteu”!
Difícil é ter sempre que usar a frase “dos males, o menor” em nossas escolhas.
Ser insolente é questionar, e este blog tem como objetivo gerar este sentimento nos leitores.
Espero que você curta a insolência das variadas opiniões e estilos de cada um dos colaboradores.
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