Uma grande falta de educação
Essa minha primeira ranhetice faz jus ao nome da seção. Me sinto uma velha senhora gritando e batendo a bengala no chão, mas o fato é: as pessoas tem cada vez menos educação.
Estamos vivendo um momento de prosperidade “nunca antes visto na história desse país”. Mais do que nunca, mais pessoas tem acesso a carros, viagens, ensino superior e, sei lá, frozen yogurt. Mas, com todo esse acesso a itens que antes eram restritos a uma elite, o que veio junto não foi uma vontade de promover a igualdade a todos. Pelo contrário: a cultura vigente é: se eu paguei, eu posso tratar do jeito que eu quiser (complemento de um Tweet que eu li – que nem puta).
Faz todo sentido, né? Sempre fomos uma sociedade de opressores e oprimidos. A diferença social do brasileiro criou uma divisão enorme entre pobre e rico, que aceitava que uma série de abusos de poder acontecessem impunemente. E mesmo com todo nosso avanço econômico, parece que não sabemos achar outro lugar que não um dos dois lados dessa gangorra. Se eu posso, eu esculacho. Se não posso, aguento o que receber de cabeça baixa. O cliente tem sempre a razão. Mas, me aguarde quando essa gangorra se inverter… E o círculo vicioso permanece. Somos um povo muito mal resolvido, isso sim.
Honestamente, espero que a próxima evolução de consumo do brasileiro seja a educação. Não estou falando apenas de cultura, mas de bons modos, de respeito ao próximo. Você pode se expressar com muito mais propriedade sem desrespeitar o próximo. É ditado de vó e por isso mesmo é certo: quem perde a cabeça, perde a razão.
O avião atrasou e a companhia aérea está sem dar informações? Pare de dar showzinho para aparecer no Jornal Nacional humilhando um atendente que muito provavelmente ganha menos e trabalha mais do que você. Vá reclamar na Anac, no Procon, mude de companhia aérea. Você contratou uma agência que te mandou um material errado? Ao invés de gritar em um chilique histérico, pare um minuto para pensar quantas pessoas estão envolvidas naquele trabalho que você está ofendendo. Seu cliente foi grosseiro com seu funcionário? Dê o exemplo e defenda seu funcionário. Seu funcionário foi grosseiro com seu cliente? Dê o exemplo e defenda seu cliente.
Não existe pobreza pior que a de espírito. Você não precisa colocar o outro pra baixo para você estar por cima. Faça o que for para perceber que, mais que um carro novo, o que te faz mais rico é respeitar o próximo.
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O velho conflito entre o “você sabe com quem você está falando?” com o “quem você pensa que é?”.
O que nos leva também à síndrome das pequenas autoridades…