Assuntos recorrentes
A gente faz muitas amizades nesta vida. Conhece muita gente, muda de um trampo pro outro e vai acumulando aquela lista enorme no messenger. Ou vai a alguma festa e alguém que é primo do vizinho do amigo vai com a sua cara e popa no seu Facebook dias depois. Dentre os diversos níveis de amizade, existe uma linha tênue entre os laços constantes e o famoso “coleguismo”.
De fato, cansa se você pensar que um único assunto recorrente une você e aquele desgraçado indivíduo que sempre comenta sobre a mesma coisa. É como se ambos fossem especialistas naquele determinado assunto, e aí fica aquele papo grotesco com hiatos de silêncio enquanto buscamos mais tópicos ainda não debatidos. Mas tudo bem, existem coisas menos suportáveis que isso.
O outro tipo de assunto recorrente, também parido do “coleguismo”, é aquela mesma ladainha que algumas pessoas insistem em repetir em todo santo almoço corporativo ou happy hour. Você está em um momento de relaxamento, não em uma ocasião de negócios. Mas o filho da puta, que nem é tão workaholic quanto tenta parecer, não consegue tirar a cabeça da firma. É legal que as pessoas se entreguem ao trabalho, mas tudo tem um limite e seu cérebro precisa de pausas até para aumentar o rendimento. Às vezes você está com a cabeça na conta que deixou de pagar, no avô doente, na viagem do fim de semana, mas o cuzão insiste em trazer à tona a imagem do escritório, que vem junto com aquela pendência que não deixou você dormir a noite toda.
E se isso é ruim, imagina o terceiro tipo.
Sim, ele existe. Porque é muito mais fácil transformar o mundo num lugar pior para se viver. E é o hobby favorito de muita gente, também.
Bom, eu considero as redes sociais um avanço. E se você acha que é besteira e etc, imagine quem já morou em 4 cidades diferentes faz para manter contato com pessoas que estão longe, aproximando-as da sua rotina. Mas, obviamente, a coisa desvirtuou. Aquele bando de gente carente que não tem nada a ver com você vêm adicionando, e se você ignora, ficam bravos e enchendo o saco. Aí você, vencido pelo cansaço e com o saco na lua, resolve aceitar a merda da solicitação pra ter um pouco de paz.
Mas aí o inferno começa.
E vêm vários assuntos recorrentes. Protestos porque você vai votar em candidato x ou y. Disparam e-mails partidários diáriamente para encher seu saco. Falam sobre a menina que tem uma doença rara e está morrendo, uma cópia de uma corrente que você já recebeu há 5 anos. Mandam orações e, se você não repassar para sua idade vezes 50 pessoas, vai ter o triplo de anos de azar. Ficam atazanando você com promoções, ou bombardeando com notícias de certo programa de TV que você não está a fim de ver.
Não há como escapar dos assuntos recorrentes. É fato, a gente tem que saber tolerar e por engolir tanta coisa indigesta, acaba ficando com gastrite mesmo. E que tal se você, amigo chato dos assuntos recorrentes, pegasse mais leve? Seria interessante que as pessoas fizessem o mais difícil e tornassem o mundo mais agradável de se viver.
Grato.
Enzo Sunahara
Filed under: Gastrite | 1 Comentário
Tags:assuntos recorrentes, gastrite
incrível e engraçado. Um novo ano, um novo Enzo.