Troco árvores por sobras de plástico e silício
12jan11
Empresas adoram dizer que são sustentáveis. Você entra no portal das multinacionais e lá está o itenzinho “sustentabilidade” no menu. Na maioria das vezes, isso se resume a plantar árvores.
Nós, indivíduos insignificantes, que somos apenas um grão de areia lutando contra a Tsunami de lixo que o mundo produz, ainda tentamos: reciclamos nosso lixo, usamos eco bags quando vamos ao supermercado. Mas justamente por isso, ficamos diariamente horrorizados com a pilha de lixo inútil que se armazena ali.
São necessárias ao menos duas viagens semanais aos centros de reciclagem para dar conta do monstro. Mal entregamos um saco e lá está outro, de boca aberta, faminto por embalagens de ovos, isopores de frango, sacos, saquinhos, caixas, caixinhas.
Será que esse exagero de plástico, papel e metal é mesmo necessário? Talvez as empresas e multinacionais boazinhas deveriam substituir o plantio der árvores por atitudes mais eficientes, que envolvessem seus próprios produtos.
Pense comigo: quantos produtos você não abre por dia que trazem em si uma família completa de embalagens inúteis? Não são adoráveis aqueles bolinhos de sabores sortidos? Claro. Mas será que eles precisam vir em uma caixa grande de papel, com um recipiente de plástico dentro cheio de reentrâncias para caber os bolinhos que, por si, ainda são revestidos de um plástico mais fino?
E remédios então? Pílula anticoncepcional, a rainha das embalagens. Bastava a cartela de comprimidos, mas não. Ela ainda vem envolta em uma embalagem metalizada, dentro de uma caixa.
OK, se você não recicla lixo e não está nem aí, não liga de abrir mil bonecas russas de plástico para chegar ao produto, pense ao menos no custo disso tudo. Imagine quanto ia economizar se pudesse comprar os bolinhos dentro de saquinhos de papel reciclável. Cartelinhas de remédio com a bula impressa no verso, sem caixa.
É difícil esse tipo de discussão em um mundo ainda tão vaidoso, onde revistas de negócios incentivam você a fazer justamente o contrário: ao invés de reduzir o custo com embalagens, os altares do marketing – sim, sempre ele – incentivam aumentá-lo, para produzir embalagens mais bonitas e atrativas. Querem chamar atenção para ver se vendem mais. Sem contar o custo de substituição das máquinas que fabricam as embalagens atuais. Não, os donos da bola não querem saber disso.
E o mesmo acontece com eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Em 2007, o Bank of America patrocinou um Estudo da Expectativa de Vida dos Componentes de Casa e descobriram que um microondas hoje em dia não dura mais que 9 anos. Um freezer, 11, uma geladeira, 13. Veja aqui.
E sabe qual o tempo de vida médio de um DVD Player? Dezoito meses. Faça as contas. A cada um ano e meio, cada pessoa contribui para um novo lixo eletrônico para o planeta. Já deu uma olhada no prazo da garantia?
OK, Srs. Marketing. O fato de vocês quererem resolver a natureza plantando árvores nos mostra que talvez não entendam tão bem o mundo das lentes de seus gráficos e bullet points, seus termos em inglês que sempre buscam um lucro acima da média de seus concorrentes. Mas nós estamos de olho. Digo com propriedade que não ligo de comprar uma geladeira mais feia se ela durar mais ou bolinhos de chocolate menos coloridos, em saco de papel pardo mesmo, se for diminuir a pilha do lixo aqui de casa. As deliciosas carolinas da padaria continuam fazendo sucesso no papel de pão.
E você? Será que não tem mesmo nada que possa fazer além de reciclar seus lixos? De repente, escolher empresas que utilizam menos embalagens pode ser mais um passo.
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